O presidente de honra, baluarte e intérprete oficial da Estação Primeira de Mangueira José Clementino Bispo dos Santos, o Jamelão, faleceu, aos 95 anos, às 4h da manhã do dia 14 de junho, de infecção generalizada (choque séptico), na clinica Pinheiro Machado, em Laranjeiras, onde estava internado desde o dia 11 de junho. Casado há 58 anos, deixou a esposa, Delice Ferreira dos Santos, a filha Jocely e dois netos Thomaz e Manoela. A presidente Eli Gonçalves, a Chininha decretou luto por três dias pela grande perda.
O corpo chegou à quadra da agremiação às 18h, de sábado (15), acompanhado por um cortejo que o saudava com aplausos, ao som do hino "Exaltação à Mangueira". O velório aconteceu durante toda a madrugada de domingo (15) com a presença de amigos, familiares e fãs que fizeram fila para dar o último adeus ao Mestre.

JamelãoJosé Bispo Clementino dos Santos, conhecido como Jamelão, nasceu no dia 12 de maio de 1913, casado, morador do Bairro São Francisco Xavier, no Rio de Janeiro. Menino no morro da Mangueira, conviveu com os fundadores e os primeiros componentes da escola.
Logo estava na bateria da verde-e-rosa com seu tamborim e lá descobriu os dois amores de sua vida: Mangueira e samba.
Logo aprendeu cavaquinho e passou a cantar em gafieiras, influenciado principalmente pelo estilo de Cyro Monteiro.
Na década de 40, participou do programa Calouros em Desfile, comandado por Ary Barroso. A partir daí conseguiu trabalhos no rádio e em boates, participando também como crooner da Orquestra Tabajara de Severino Araújo, com quem excursionou pela Europa.
No ano de 1950 começou a atuar como intérprete de samba-enredo para a Estação Primeira de Mangueira, atividade que exerceu até 2006, tornando-se uma referência obrigatória no gênero. Foi eleito em 1998, presidente de honra da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. E não foi uma eleição qualquer, foi escolhido pelo Conselho Superior, entidade formada pelos 21 Baluartes da escola, os sábios imortais mangueirenses, entre eles Delegado, Xangô, Nelson Sargento e as saudosas D.Neuma e D.Zica.
Foi a maior homenagem que a escola prestar a um mangueirense. Antes dele, apenas Carlos Cachaça, um dos fundadores, tinha recebido esse título. Ao escolherem Jamelão, os baluartes homenagearam não apenas um dos maiores símbolos do carnaval carioca, mas um apaixonado intérprete mangueirense que durante 56 anos cantou os sambas-enredo da verde-e-rosa com seu vozeirão inconfundível.
Este incrível homem, polêmico, mas sincero em suas declarações, ainda trabalhou durante anos fazendo shows, com a mesma vitalidade do inicio de sua carreira. No ano de 2003, após completar 90 anos, ficou internado durante oito meses devido a uma úlcera varicosa nas duas pernas, passando por delicadas cirurgias.
No final do ano de 2006, o baluarte sofreu duas isquemias, em outubro e outra novembro, que afetaram a área cognitiva do cérebro, impedindo sua participação no carnaval de 2007, desde então o tratamento domiciliar e despesas medicas estavam sendo custeados pela agremiação.
A missa de Sétimo Dia será realizada na quadra da Estação Primeira de Mangueira, na sexta-feira, 20 de junho, às 20, aberta ao público. A feijoada da família mangueirense que aconteceria na tarde do último sábado, foi transferida para o próximo sábado (21) quando será realizado um Tributo à Jamelão.
Texto e foto: Site Mangueira
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